Um golo contra a discriminação

A dois días de defrontar a Finlândia, a Seleção A Feminina recebeu no treino uma equipa de futebol especial, composta por meninas de etnia cigana entre os 10 e os 18 anos. A preparar com afinco o jogo frente à Finlândia - marcado para terça-feira, às 18h30, em Famalicão, e a contar para o apuramento do Europeu de 2021 -, a Seleção Nacional A feminina marcou este domingo um golo importante contra a discriminação, ao receber no treino uma equipa de meninas de etnia cigana, entre os 10 e os 18 anos, provenientes do bairro social de Santa Tecla, em Braga.
Dayana Rodrigues, Letícia Gonçalves, Lara Cabreiras, Josiana Monteiro, Luana Gonçalves e Lara Monteiro fazem parte da equipa de futebol 'Big Powers' e concretizaram o sonho de conhecer com a principal seleção feminina de Portugal. Começaram a jogar em 2016, no âmbito do Projeto Geração Tecla E7G, da Cruz Vermelha de Braga, que é financiado pelo programa governamental Escolhas, com a missão de promover a inclusão social de crianças e jovens dentro da comunidade cigana, visando a igualdade de oportunidades e o reforço da coesão social.
Apesar de se encontrarem totalmente focadas no próximo jogo de qualificação para o Europeu, as internacionais portuguesas mostraram-se totalmente disponíveis para conviver e responder a todas as questões das pequenas 'Big Powers', deixando-lhes palavras de motivação e incentivando-as a perseguir sonhos, não só no futebol como em qualquer área da vida. As capitãs Cláudia Neto, Dolores Silva e Sílvia Rebelo fizeram, ainda, questao de entregar material de jogo às jovens jogadoras.    
A guarda-redes Dayana Rodrigues resumiu o sentimento das 'Big Powers' após o convívio com as jogadoras da Seleção: "É uma felicidade enorme estarmos aqui. Tantas meninas que gostariam de ter esta oportunidade. Dá-nos vontade de continuar a jogar. É um sonho tornado realidade". Dayana contou ainda que a "experiência inesquecível" vai ter continuidade na terça-feira, no Estádio Municipal de Famalicão: "Vamos apoiar a nossa Seleção. Para mim, será muito especial porque a Patrícia Morais prometeu oferecer-me as luvas no final".
O Selecionador Nacional Francisco Neto em discurso direto: 
"Foi uma manhã diferente e muito enriquecedora para todos. Tivemos o gosto de receber estas meninas, passar-lhes a nossa mensagem e, ao mesmo tempo, ouvi-las e perceber, uma vez mais, que o futebol tem a magia de unir todas as pessoas. Existe uma cultura de responsabilidade social que é transversal a todas as seleções; a Seleção A feminina não é exceção. A Federação Portuguesa de Futebol apoia vários projetos que promovem a diversidade e a inclusão social. Todos na família FPF assumimos esse compromisso e tentamos que os valores do futebol inspirem toda a gente a construir um futuro melhor".
Inês Pereira, guarda-redes da Seleção Nacional, em discurso direto:
"Acho muito importante a FPF apoiar esta iniciativa. Temos aqui meninas de diferentes idades, a conviver connosco e a verem o nosso treino. A verdade é que o futebol feminino está a crescer e toda a gente pode participar nele. É fundamental termos estas jovens a aprenderem connosco e nós a aprendermos com elas. Infelizmente, há pessoas que passam muitas dficuldades e não são tratadas como deviam. Nós aqui na Federação apoiamos esta causa e queremos juntar estas meninas ao nosso grupo, para mostrar que somos todas iguais e lutamos todas para o mesmo".
Carina Silva, coordenadora do Projeto Geração Tecla E7G, em discurso direto:
"Trabalhar com estas meninas no futebol é extremamente importante, para desconstruirmos a ideia de que o futebol é só para meninos e para reforçarmos a autoestima delas, trabalhando o sentimento de pertença e a motivação. Vir aqui ao treino da Seleção mostra-lhes que as raparigas são capazes de chegar a este patamar tão alto. Só têm de trabalhar muito e acreditar no seu talento. Eu acredito que elas vão conseguir ser o que quiserem nesta vida".
João Carvalho, treinador e monitor das 'Big Powers', em discurso direto:
"Nem sempre é fácil treinar este grupo. Falo de dificuldades várias a nível logístico e, por vezes, a nível de compromisso. É claro que, no final, é recompensador ver como o futebol pode transformar as vidas destas meninas. A visita à Seleção Nacional, numa altura em que a equipa está a preparar um jogo importante de qualificação, é um momento marcante para a nossa equipa. Elas saiem daqui com a consciência de que o futebol é um lugar para elas; é um lugar para todos".

In fpf.pt)